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Hora do Café
 

Pequeno, rápido e sonoro Conto de Fim de Ano

Ele estava, como de costume, sentado em sua cadeira à frente do computador, distraído, respondendo aos e-mails de Boas Festas e Feliz Ano Novo, quando percebeu o rosto amável de sua tia Rosa olhando pela janela. Do lado de fora, com um pano de prato nas mãos, ela lhe sorriu e disse:
- Vem almoçar, filho, já fritei seu ovo... Vem logo, senão esfria!
- Já vou, minha tia, preciso só enviar mais esse e-mail e estou indo!
- Respondeu sem tirar os olhos da tela do computador... Os mesmos olhos que se arregalaram quando ele tomou consciência de que estava no 15º andar do edifício, e que aquela amável senhora não era sua tia Rosa, aliás, jamais tivera uma tia Rosa!!! E ainda, o relógio marcava 3:15 da madrugada, a hora do almoço ia longe!
Levantou-se depressa para olhar pela janela e percebeu, atônito, que naquele lugar agora havia uma porta! Abriu-a rapidamente e olhou para os dois lados do corredor, na esperança de ver alguém correndo, ou uma porta batendo... mas nada. O corredor do colégio estava silencioso e deserto. Ainda não era a hora do recreio... Fechou a porta, passou o trinco e voltou pensativo para sua mesa, onde uma máquina de escrever Remington Rand 51 ocupava o lugar de seu teclado. Uma folha estava no cilindro da máquina, com o começo de um texto em alemão. Sentou-se, tentou ler os ideogramas e pensou: "Estranho isso..." Percebeu então, que no lugar do monitor onde antes lia seus e-mails, dois peixinhos dourados nadavam tranqüilos. Pensando ser mais um daqueles maravilhosos descansos de tela do Windows, ele procurou o mouse, mas seus dedos tocaram em outros dedos, em uma outra mão, que correspondeu carinhosamente ao seu toque. Um arrepio subiu-lhe pela mão até a espinha e ele sentiu os cabelos da nuca eriçados. Assustado, levantou-se e correu procurando a porta, mas não havia mais uma porta, e sim um cabide cheio de roupas, cuja sombra lembrava a silhueta de Alfred Hitchcock... Achou uma porta do outro lado da sala, abriu-a e saiu com passos rápidos pelo corredor do hospital (percebeu pelo cartaz com a enfermeira fazendo Psiu). Ouviu passos atrás de si e achou que estava sendo seguido. Eram passos de mulher; uma mulher de saltos altos! Toc! Toc! Toc! Toc! Correu mais ainda... Os passos também se aceleraram! Notou, então, que eram os seus próprios passos, e que estava calçando um lindo Ferragamo salto 13, vermelho! Ele parou bruscamente e, escorregando pelo mármore, desajeitado tirou o sapato de um pé, depois o outro, segurou-os olhando de frente para eles e, entregando-os à vendedora, disse:
- Olha, eles são lindos, mas acho que ficou um pouco apertado...
- O senhor não quer ver um número maior? Que tal este???
- respondeu a vendedora vestida de noiva, enquanto sorridente erguia um grande espelho onde se via, escrito em batom carmim, o número 98... Quando ele ia responder que 98 é vaca, o sino de uma igrejinha mórmon que se avistava pela janela começou a badalar alto... Blém! Blém! Blém!, muito alto, e a cada batida mais alto, até ele não conseguir ouvir a própria voz, levando as mãos aos ouvidos para suportar a sucessão de batidas que se transformavam agora em estouros, que ele julgou serem tiros de escopeta calibre 12 em sua direção! Páá! Pam! Páá! Pá!... Jogou-se ao chão e se escondeu atrás do piano Steinway de cauda, mas percebeu que os estampidos eram apenas fogos de artifício!!!... Nesse momento, as luzes do palco se acenderam e ele pode ver em meio à fumaça, os árabes, armados até os dentes, um grupo fantasiado de marinheiros italianos, alguns travestis, seus parentes e amigos queridos, o pessoal da repartição, todos com taças de champanhe nas mãos, olhando alegres para ele, dizendo:
- FELIZ ANO NOVO, ALFONSO!
Saindo de trás do piano, com cara de enfado, ele respondeu:
- Puta merda! Já falei pra vocês que meu nome é Afonso! A-fonso! Cacete! Que mania de deturpar as coisas!

Moral da História: Aconteça o que acontecer, o importante é o que importa!

 

Não adianta tentar evitar, vem mais um ano aí! Hehehe...


A todos que passaram por aqui e me fizeram feliz o 2004, eu desejo um Feliz 2005!

Obrigado!



 Escrito por Zé do Café às 02h41 [] [envie esta mensagem]



Um superdia!

O dia do aniversário deveria ser um dia como outro qualquer, mas não é. Neste dia fazemos de conta que não esperamos nada, mas esperamos tudo.
Primeiro, esperamos que nada de errado aconteça, porque se acontecer, vamos dizer: "Putz, bem no dia do aniversário!" A gente não quer nem uma topada no pé da cama neste dia... Deveríamos ficar invulneráveis no dia do aniversário!
Segundo, esperamos que todo mundo saiba que é o dia do aniversário. Passamos pelo porteiro do prédio, dizemos "Bom Dia", e quando ele responde, pensamos: "Ele não sabe!"... Deveríamos usar uma roupa especial no dia do aniversário, que anunciasse a todos a data festiva! Talvez uma capa!
Terceiro, esperamos ganhar alguma coisa de alguém. Como se a nossa existência fosse uma dádiva para os outros. E do alto de nossa grandeza, dizemos: "Não precisava, não precisava..." Deveríamos ser aclamados na rua quando passássemos, no dia do aniversário!
Quarto, esperamos conseguir disfarçar a cara de tacho, quando abrimos um presente e ele não é bem aquilo que esperávamos! Deveríamos ter visão de raios-X no dia do aniversário!
E quinto, esperamos fazer uma porção de coisas neste dia, só por ser o dia do aniversário. Só que ele passa tão rápido, que quando percebemos, já se foi e só nos restou um ano a mais de idade... Deveríamos ter supervelocidade, ou até voar, no dia do aniversário!
Bem, acho que a gente espera mesmo é ter um superaniversário!

"Não precisava, não precisava..."



 Escrito por Zé do Café às 02h55 [] [envie esta mensagem]



Mais um de Sagitário...

Como havia prometido: ainda sobre Centauros, ainda sob Sagitário...
Segundo a mitologia grega, a origem da raça de centauros está num tal mortal chamado Íxion, criador de cavalos, e pelo visto, de encrencas também, que se apaixonou por Hera, que era esposa de Zeus (The Boss), e este, muito compreensivo, porém, muito sacana, criou uma nuvem com as formas dela para o Íxion matar a vontade e parar de garanhar a mulher dele... O coitadinho ficou com a cabeça (ou até mais) nas nuvens, mas convenhamos, por questões de atrito, transar com uma nuvem deve ser meio sem graça, né? Hehehe... Mas, aconteceu que desse cruzamento meio insosso nasceu uma gracinha meio-bebê, meio-potrinho, que recebeu o nome de Centaurus. Quando era ainda meio-adolescente, meio-pônei, seus hormônios atingiram níveis cavalares e ele saiu comendo as mulas (que o aceitavam numa boa!) nas encostas do Monte Pelion e aí a coisa desembestou (ou embestou) de vez, gerando milhares de seres como ele, mezzo a mezzo.

Uma rara cena de uma família centaura. Notem o meio-vovô, meio-pangaré...

Também diz a mitologia grega, numa outra historinha interessante, que Chronos, deus do tempo, (aquele mesmo, que sempre me ferra, lembra?) apaixonou-se pela ninfa Philyra e, disfarçado de cavalo para enganar sua esposa Rhea, saiu cagando e andando de casa e foi dar um crau na ninfeta. Dizem que naquele dia ela estava linda, com um rabinho de cavalo... Não me perguntem como a ninfetinha topou o programa (talvez quisesse alargar de vez seus horizontes...), mas aconteceu que desse cruzamento meio insólito nasceu um centaurinho, que levou o nome de Chyron. Aqui vale um comentário sobre a não existência de camisinhas naquela época (ainda mais na bitola necessária para o caso, hehehe), visto que esses seres estranhos sempre nasciam dessas trepadinhas únicas e rapidinhas. A mãe, quando viu no berço/estábulo o produto de seu amor, recusou-o, e por essa atitude os deuses a transformaram num limoeiro, para que ela sentisse na pele (ou casca, sei lá...) o que é rejeição. Ninguém diz como o Chronos safado, sem-vergonha, saiu dessa, mas o fato é que os deuses levaram a pequena, rejeitada e quadrúpede criatura para o monte Olimpo, e lá ela virou um verdadeiro nerd olímpico, devorando os livros todos como se alfafa fossem (perdão!), adquirindo grande sabedoria. Nas competicões culturais ele "lavava a égua", e suas tias viviam dizendo: "Mas esse menino já tá um cavalão, hein?"... Chyron cresceu, tomou corpo, sua cauda se tornou longa e brilhante, virou um mestre para os filhos dos deuses, que eram meio burros (sem hífen) e acabou ganhando de presente a imortalidade (esses deuses faziam o que bem entendiam, hein?...).

"Como assim?... meio veado, Mestre?"

Tempos depois, Chyron ajudava seu pupilo Hércules em um de seus trabalhosos trabalhos, e este, num momento de péssima pontaria, acertou-lhe uma flecha envenenada na coxa (ou pata, sei lá...), causando um ferimento extremamente doloroso e incurável. Como era imortal, Chyron, esperto, preferiu morrer a sentir aquela dor eternamente. Negociou com Zeus, e cedeu sua imortalidade para o coitado do Prometheus, que precisava muito ganhar uma, mas eu não vou contar porque, que isso já é outra história... Aí, Zeus, comovido pelo desprendimento de Chyron, numa demonstração de gratidão e pirotecnia divina, mandou fazer as Constelações do Centauro e de Sagitário em sua homenagem, ou seja, se não fosse a cagada do Hércules, não existiriam as constelações, e aí, o Brad Pitt, o Sinatra, o Spielberg, a Vera Fischer, o Beethoven, o Ozzy, a Cássia Eller, o Walt Disney, o Jim Morrison, o Noel Rosa, o Silvio Santos, o Goddard, o Jimi Hendrix, o Mário Lago, o Woody Allen, e Eu teríamos um outro signo. É isso!

Estrelas da Constelação de Sagitário


Com esse, espero ter esgotado o assunto... Não? Ah!... a genitália? Veremos...


Só mais uma coisinha... Estamos chegando ao 10.000º visitante! Será que vai ter prêmio?????



 Escrito por Zé do Café às 23h38 [] [envie esta mensagem]