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Retroexpectativa 2006-2007
E aqui estamos, mais uma vez, em mais um final de ano. E o que isso quer dizer, além de que ainda estamos vivos? Quer dizer que daqui a pouco estaremos, mais uma vez, em mais um começo de ano. E o que isso quer dizer, além de que tudo é sempre a mesma coisa? Quer dizer que é hora da Hora do Café fazer sua já tradicional Retroexpectativa 2006-2007! Bem, antes que uma coisa termine e outra coisa comece, vamos começar a coisa.
Política/Educação: "2006 foi o ano das eleição nunca antes vista nesse país". Elegemos mensaleiros, elegemos sanguessugas, elegemos suspeitos e... elegemos ele de novo! E assim, teremos de conviver (espera-se) por mais alguns anos com a falta de escrúpulo, de moral, de educação, de vergonha na cara e, principalmente, a falta de alguns "esses" nos discurso, né?, meus companheiro! Mas, quem disse que o povo liga pra isso?...

No nosso falta um dedo, no deles, um parafuso.
Esporte: 2006 foi o ano da Copa do Mundo de Malabarismo. O Brasil era o favorito, tinha as melhores focas amestradas. Mas nosso domador não soube ensinar que numa competição o importante é vencer. A verdade é que o ideal olímpico, coisa mais antiga, não previu o montante de dinheiro que seria envolvido no esporte. Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, neste próximo ano, deveriam incluir as modalidades "Corrida Atrás da Grana", "Salto na Qualidade de Vida" e "Mergulho no Mundo das Celebridades". Aí sim, faríamos bonito! Mesmo não vencendo... Mas, quem disse que o povo liga pra isso?

Na foto, o craque brasileiro já ostentando as cores de seu novo clube.
Arte/Sociedade: 2006 foi o ano da periferia centralizada. Fizeram uma Bienal de São Paulo com arte da periferia. Fizeram shows e programas na TV com música da periferia. Fizeram filmes com dramas da periferia. Tudo bem que depois de ganhar prêmios, audiência, altos salários globais e muito prestígio, os produtores desses eventos voltem para suas casas nos bairros nobres, e a periferia continue lá... na periferia. Mas, quem disse que o povo liga pra isso?

Barraco fora do barraco. A inclusão da elite...
Ciência: 2006 foi o das certezas incertas, com certeza. Plutão, o mais distante, gelado e último dos planetas do Sistema Solar, não é mais planeta. Tudo bem, também não é o último. Nem tão gelado. Daqui a pouco vão dizer que o Sistema Solar não é um sistema, talvez nem solar seja... Outra notícia interessante neste setor foi a descoberta de um fóssil de dinossauro brasileiro lá pelos lados de Agudos - RS, um achado que pode apontar para novas teorias sobre a origem desses seres que já dominaram a Terra. O interessante é que foram encontrados os ossos de vários exemplares do bicho, mas nenhum osso de uma perna esquerda, o que levou os pesquisadores brasileiros a nomear o dino como "Sacisaurus Agudoensis". Não sei por quê, mas tudo aqui no Brasil parece brincadeira... Mas, quem disse que o povo liga pra isso, né?

Pesquisadores acham que esta descoberta pode mudar os rumos do folclore brasileiro.
Bom, por este ano chega!
Um FELIZ 2007 a todos nós, que bem merecemos!
Escrito por Zé do Café às 14h35
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Diálogos que gostaríamos de interromper - I
E lá estava eu, como estavam também todas as coisas normais e corriqueiras naquele dia em que nada, ou tudo, parecia possível, encostado no balcão frio da padaria tomando o meu prosaico cafezinho da tarde, quando, entre um gole quente e um pensamento morno, presenciei o encontro de duas pessoas e o insólito diálogo dele nascido:
- Oi, com licença, você não é a Shirley? - Suely. - ... que trabalhava no lava-rápido... - Posto de gasolina. - Isso! O Texaco ali da Duque de Caxias. - Atlantic, da Tamandaré. - Isso mesmo, onde também trabalhava seu irmão, Miguel. - Era o Jorge, meu primo. - Ah, é! Ele tinha uma Brasília azul... - Uma Parati. Cinza. - Era uma Parati? Vocês até me deram uma carona, uma vez, pro interior... - Pra Piracicaba, né? - Sorocaba... Pois é, eu sou o César, lembra? - Sim, lógico! Que trabalhava no Cartório... - No Fórum. - Ah, é... lá em Sorocaba. - Araraquara. Em Sorocaba fui visitar minha avó, lembra? - Lembro sim, foi num Carnaval, lá nos anos 70... - Semana Santa, 1982. Eu tinha acabado de entrar na faculdade, tava careca... - É mesmo! Ia fazer Agronomia, né? - Geologia. - Ai, desculpa, faz tanto tempo, Célio... - César...
Pra mim foi o suficiente. Coloquei minha xícara vazia sobre o pires, dei um tchau pro menino do café e fui pro caixa pensando se não deveria ter interrompido aquele diálogo antes que a coisa ficasse surrealista demais e os dois descobrissem que eram outras duas pessoas...

Às vezes é melhor fazer de conta que não conhecemos até quem nunca vimos na vida.
Escrito por Zé do Café às 16h43
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